1) O DDA/H é um distúrbio novo, descrito recentemente pela Medicina?
A primeira descrição oficial do que hoje chamamos DDA/H data de 1902, quando um médico inglês, George Still, apresentou casos clínicos de crianças com hiperatividade e outras alterações de comportamento, que na sua opinião não podiam ser explicadas por falhas educacionais ou ambientais, mas que deveriam ser provocadas por algum distúrbio cerebral na época desconhecido.
 
2) A Medicina já conheceu esse distúrbio com outros nomes?
Sim. Algumas das denominações com as quais se conheceu esse mesmo distúrbio foram: síndrome da criança hiperativa, lesão cerebral mínima, disfunção cerebral mínima, síndrome hipercinética, distúrbio primário da atenção.

3) O que é o DDA/H?
O DDA/H é um distúrbio neurobiológico (vide causa – questão 16) crônico, quer dizer, de longa duração, podendo persistir por toda a vida da pessoa, que tem início na infância, que compromete o funcionamento da pessoa em vários setores de sua vida, e que se caracteriza por três grupos de alterações: hiperatividade, impulsividade e desatenção.

4) O que se entende por hiperatividade?
Hiperatividade é, como o nome indica, o aumento da atividade motora. A pessoa hiperativa é inquieta, está quase constantemente em movimento. Se é criança, os professores descrevem que ela se levanta da carteira a todo instante, mexe com um ou com outro, fala muito. Parece que é elétrica, ou que está com um motorzinho ligado o tempo todo. Raramente consegue ficar sentada, mas se é obrigada a permanecer sentada, se revira o tempo todo, bate com os pés, mexe com as mãos, ou então acaba adormecendo. Dificilmente consegue se interessar por uma brincadeira em que tenha que ficar quieta, mas pelo contrário está sempre correndo, subindo em móveis, árvores, e freqüentemente em locais perigosos. Às vezes, nem para comer essa criança consegue sentar, quanto mais para assistir a um programa de televisão ou ler um livro ou uma revista.
 
5) Como aparece a hiperatividade num adolescente ou num adulto?
Adolescentes e adultos hiperativos costumam se mostrar de forma um pouco diferente das crianças, pois é próprio dessas idades mais avançadas uma redução normal da atividade motora. Então, muitas vezes o que predomina no adolescente e no adulto é uma sensação interna de inquietação, ou então, eles se mostram sempre ocupados com alguma coisa, dando a impressão de estarem sempre muito atarefados, quando na verdade o que ocorre é uma dificuldade em diminuir o nível de atividade. Adultos têm dificuldade em sair de férias, ou comumente se ocupam com várias atividades ao mesmo tempo,  sem contudo conseguir  completar nenhuma delas.

6) Hiperatividade é sinônimo de DDA/H?
A rigor, hiperatividade significa apenas o aumento da atividade motora, que pode se encontrar em diversos distúrbios psíquicos, como na esquizofrenia, na fase maníaca do distúrbio bipolar, em certos quadros ansiosos com agitação, e até mesmo em casos de reações a certas medicações (anti-asmáticos, anti-alérgicos, etc.), ou em conseqüência de certas doenças físicas, como hipertireoidismo, doenças cerebrais, etc.

7) O que é impulsividade?
Impulsividade é a deficiência no controle dos impulsos. Podemos entender impulso como a resposta automática e imediata a um estímulo. Por exemplo, se vemos alguma coisa apetitosa, queremos possuí-la. Se alguém nos incomoda ou agride, nosso impulso é afastá-lo ou revidar, agredindo-o de volta. Se observarmos uma criança pequena, fica fácil termos uma idéia do que é impulsividade, porque nessa fase a criança naturalmente ainda não desenvolveu nenhum controle dos seus impulsos. Isso aliás responde por uma das belezas da criança pequena; ela é totalmente espontânea. Em outras palavras, não tem freio nenhum. Somente à medida que a criança cresce é que a educação vai criando esse freio interno, através de um processo de inibição da resposta imediata. É como se, nesse aspecto, a pessoa com DDA/H permanecesse criança, no sentido que suas reações quase sempre são imediatas, sem reflexão.

8) Como aparece a impulsividade na clínica?
A pessoa impulsiva tem reações súbitas, de supetão, responde ou reage sem pensar, e só vai pensar depois. Costuma dar uma resposta sem escutar a pergunta por inteiro, mas a marca registrada da impulsividade é a impaciência, a dificuldade de esperar. Dizem que o verbo esperar não existe no dicionário da pessoa com DDA/H. Nas brincadeiras não conseguem esperar sua vez, intrometem-se nas conversas dos outros, nunca obedecem filas.
Adolescentes e adultos impulsivos dirigindo um carro constituem um perigo. Como não conseguem esperar, ultrapassam perigosamente, avançam sinais, querem sempre chegar rápido e por isso correm demais. A impulsividade também pode se mostrar através de um comer impulsivo, um comprar por impulso, e também por um tomar decisões por impulso, como por exemplo, romper um relacionamento, ou assumir um compromisso sem pensar bem.
Crianças e adultos impulsivos costumam ter reações explosivas súbitas, dizem o que veio à cabeça, mas caracteristicamente essa reação logo passa, se arrependem e tratam a outra pessoa como se não tivessem tido aquela reação poucos minutos antes. Isso é importante para distinguir o DDA/H de outros distúrbios nos quais a raiva e o ressentimento duram horas e até dias.

9) E a desatenção, como se apresenta no DDA/H?
A falha da atenção pode aparecer de diversas formas. A pessoa com DDA/H não consegue manter a concentração por muito tempo, daí que, se começar a ler um livro, na metade da página não consegue lembrar o que acabou de ler. Até mesmo numa conversa são capazes de perder o fio do assunto. A desatenção é responsável por erros tolos que o estudante comete em matérias que ele seguramente domina, mas que no momento da prova sua atenção caiu.
Outras vezes, a mente da pessoa com DDA/H parece que não tem um filtro, e por isso qualquer estímulo é capaz de desviar a atenção dessas pessoas. Assim é que numa aula, por exemplo, basta passar alguém no corredor ou acontecer um ruído na rua para deixar a pessoa perdida em relação ao que está sendo falado pelo professor.
Algumas vezes a pessoa com DDA/H não é capaz de dar um recado, simplesmente por não se lembrar disso no exato momento em que encontra a pessoa  que deve receber o recado. No entanto basta alguém perguntar qual o recado que ela ficou de transmitir, que certamente ela irá lembrá-lo. Dito de outra forma, sua memória está conservada, a questão é que essa pessoa não consegue se lembrar de algo no momento em que deveria fazê-lo.
Comumente também essa pessoa sai de uma parte da casa para outra a fim de pegar algo, mas ao lá chegar não consegue recordar o que foi procurar. Ou então pensa em dizer alguma coisa e logo em seguida já não tem a menor idéia do que ia falar. O que falha nessas pessoas é um tipo de memória denominada memória de curto prazo ou memória operacional.  

10) A desorganização é comum no DDA/H ?
A pessoa com DDA/H é comumente muito desorganizada, graças em primeiro lugar à falha da atenção, mas também devido à sua hiperatividade. Por isso freqüentemente perde, ou não sabe onde colocou, objetos tais como canetas, óculos, livros, chaves, telefone celular, etc... e não é raro depois achar esses mesmos objetos nos locais mais estranhos, porque foram inadvertidamente colocados ali num momento de distração, quando um outro estímulo desviou a atenção do que a pessoa estava fazendo. 

11) O DDA/H sempre se acompanha de hiperatividade?
Na questão 6 ficou claro que DDA/H e Hiperatividade não são sinônimos embora seja comum se dizer que uma determinada pessoa é hiperativa quando quer dizer que ela apresenta DDA/H.
Na maioria das vezes a pessoa com DDA/H é hiperativa sim, mas nem sempre. Em aproximadamente 1/3 dos casos o DDA/H se apresenta sem sinais de hiperatividade. E esses casos que cursam sem hiperatividade são mais freqüentes no sexo feminino.
 
12) Como se reconhecem essas pessoas que apresentam o DDA/H sem a hiperatividade?
Aí todas aquelas manifestações de desatenção descritas acima predominam no quadro clínico. Em outras palavras, a criança é quieta, calada, introvertida, às vezes tímida, muitas vezes é até obediente, mas vive desatenta, não se concentra em quase nada que faz, parece que vive no mundo da lua, esquece-se freqüentemente do que tem a fazer.
Esse tipo clínico sem hiperatividade é denominado de DDA/H Predominantemente Desatento.

13) Esse tipo Predominantemente Desatento costuma passar mais desapercebido que os outros tipos em que também existe a hiperatividade?
Sem dúvida muitas crianças com DDA/H Predominantemente Desatento são erradamente consideradas pelos professores e até mesmo pelos pais como pouco inteligentes, sem aptidão para os estudos. Outras vezes são vistas como preguiçosas, ou apenas muito tímidas.

14) Os sinais do DDA/H costumam desaparecer após a adolescência?
Até poucos anos atrás era exatamente isso que a ciência acreditava: que as manifestações clínicas desapareciam espontaneamente quando a pessoa alcançava a adolescência ou se aproximava da idade adulta. Todavia, estudos mais recentes vieram comprovar que, em bom número de casos, as características desse distúrbio persistem na adolescência e chegam até a idade adulta, podendo mesmo perdurar em algum grau por toda a vida da pessoa..

15) Por que se pensava então que os sinais do DDA desapareciam no final da adolescência?
O que ocorre quase sempre é que em especial os sinais de hiperatividade e impulsividade costumam perder força com o passar dos anos. Em razão disso, a sintomatologia do DDA/H difere de acordo com a idade. Cabe lembrar que mesmo nas pessoas consideradas normais, é diferente o nível de atividade motora e de controle dos impulsos, nas diversas fases da vida. Dizemos que existe um desenvolvimento, uma evolução normal da atividade motora e do controle impulsivo, de acordo com as diferentes faixas de idade.

16) O que causa o DDA/H?
A rigor, não se conhece ainda a causa precisa. Porém, estudos recentes, utilizando técnicas de neuro-imagem, têm revelado que existe uma menor atividade na parte mais anterior do cérebro, chamada de córtex pré-frontal, especialmente no lado direito do cérebro, e também de certas regiões profundas do cérebro que estão conectadas ao lobo frontal.
Outros trabalhos têm mostrado a maior incidência de DDA/H quando a mãe faz uso de álcool ou fumo na gravidez e quando a criança nasce com baixo peso.

17) O fator mais importante é o hereditário?
Tanto isso é verdade que é quase a regra que quando identificamos uma pessoa com DDA/H, se pesquisarmos na mesma família, fatalmente encontraremos outras pessoa com o mesmo problema, com freqüência um dos pais ou algum irmão. 

18) Em que idade começa o DDA/H?
As manifestações desse problema sempre têm início na infância. Ninguém adquire o distúrbio na adolescência ou idade adulta.
Muitas vezes os pais contam que já desde o berço notavam que aquela criança era mais agitada, inquieta que os irmãos, que tinha uma dificuldade maior para adormecer, ou então que era muito chorão e não tolerava nenhuma frustração. 

19) Com que freqüência ocorre o DDA/H?
Existem diversas estatísticas e a freqüência com que se observa entre as crianças varia de 3 a 10 % da população infantil. Nos adultos estima-se que deve ser em torno de 4%.
Pensa-se que em cada sala de aula deve existir pelo menos uma criança com esse problema.
É mais comum nos meninos que nas meninas na proporção de 3 para 1.

20) Como é feito o diagnóstico?
Não existe nenhum exame ou teste psicológico que permita fazer o diagnóstico desse distúrbio.
Assim sendo, o profissional chega ao diagnóstico colhendo uma história da vida da pessoa geralmente com a ajuda dos pais (no caso de crianças) e com ajuda do marido ou da mulher (no caso de adultos).
Pode-se também lançar mão de escalas de avaliação, que são questionários que tentam quantificar os sintomas na avaliação de quem observa o cliente.

21) Como o diagnóstico é feito sem a ajuda de exames não existe o risco de se tachar todas as pessoas como DDA/H?
Não é diferente quando se trata de diagnosticar outros distúrbios, como a síndrome do pânico, uma fobia social, um transtorno obsessivo, etc. Também não existem exames que permitam fazer tais diagnósticos.
Além disso, o profissional sempre procura verificar se o caso que ele está examinando preenche determinados critérios diagnósticos que são necessários para ele poder dizer se se trata desse ou daquele distúrbio. Esses critérios diagnósticos são estabelecidos pela Associação Psiquiátrica Americana.

22) Quais são os critérios diagnósticos para o DDA/H propostos pela Associação Americana de Psiquiatria?
A Associação Americana de Psiquiatria, através de uma publicação oficial, chamada de Diagnostic and Statistic Manual (DSM), propõe que para se diagnosticar DDA/H devam estar presentes 6 ou mais de uma lista de 9 sintomas de Desatenção e 6 ou mais de uma lista de 9 sintomas de Hiperatividade e Impulsividade.

23) Quais são os sinais de desatenção que o DSM-IV (o IV significa que essa é a 4a edição do DSM) menciona? Exemplifique a fim de tornar mais claro.
A pessoa apresenta com freqüência (não apenas uma vez ou outra) as características abaixo:

(a)    Deixa de prestar atenção em detalhes e comete erros por descuido em atividades escolares, no trabalho, ou em outra atividades. (É o caso do estudante que sai da prova e percebe que errou muita coisa que ele próprio considera fácil)

(b)   Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou jogos. (Isso fica muito claro na dificuldade de ler. Muitas pessoas com DDA/H jamais leram um livro até o final)

(c)    Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra. (As mães e esposas acham até que a pessoa é surda)

(d)   Não segue instruções e não termina deveres escolares, tarefas domésticas, ou deveres profissionais. (O estudante não lê o que pede a questão e tenta adivinhá-la. O adulto não é capaz de ler um manual de instrução de um novo aparelho)

(e)    Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades. (A desorganização é quase sempre muito grande)  

(f)     Evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante, como tarefas escolares ou deveres de casa. (O estudante com DDA/H quase nunca consegue fazer os deveres por conta própria, e os adia até a última hora)

(g)    Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades, por ex., brinquedos, lápis, livros. (Nunca sabem onde guardaram as coisas)

(h)    Distrai-se por estímulos alheios à tarefa. (Basta às vezes o menor ruído que a pessoa perde o que estava fazendo ou escutando)

(i)      Apresenta esquecimento nas atividades diárias. (Quando recebem um recado, dificilmente transmitem corretamente. Se se lhes pede para comprar duas ou três coisas fatalmente alguma vai ser esquecida)

24) E quais são os sinais de Hiperatividade mencionados no DSM-IV pela Associação Americana de Psiquiatria?
A pessoa apresenta com freqüência (e não apenas ocasionalmente) as seguintes características:

(a)    Agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira. (É característico o balançar constante das pernas ou o bater com a ponta dos pés no chão)

(b)   Abandona sua cadeira na sala de aula ou em outras situações em que deveria permanecer sentado.

(c)    Corre ou sobe demais , de forma não apropriada. Em adolescentes e adultos pode se limitar a uma sensação subjetiva de inquietação.

(d)   Está “a mil” ou age como se estivesse “a todo vapor”. (Nossas avós diziam que a criança parecia que tinha “bicho no corpo inteiro”, que por vício de linguagem acabou terminando em “bicho carpinteiro”)

(e)    Fala em demasia. (Essas pessoas são maus ouvintes, mas por outro lado são a alegria de uma reunião porque nunca deixam ter um minuto de silêncio)

25) E os sinais de Impulsividade, de acordo com o DSM-IV?
A presença freqüente dos sinais:

(a)    Dá respostas precipitadas antes de ouvir a pergunta inteira.

(b)   Tem dificuldade para esperar sua vez. (Dizem que o verbo esperar não existe no dicionário dessas pessoas. Não conseguem esperar numa fila de banco, ou quando estão dirigindo um carro. È difícil também que esperem o melhor momento para falar sua opinião, ou para tomar uma decisão qualquer)

(c)    Interrompe ou se intromete em assuntos dos outros, como conversas ou brincadeiras de outras pessoas

26) Que outras exigências faz a Associação Psiquiátrica Americana para se diagnosticar o DDA/H?

1. A primeira, como já vimos, é que esses sintomas ocorram em número mínimo de 6 do grupo de sintomas de Desatenção, e o mesmo para o grupo de sintomas de Hiperatividade-Impulsividade. Além de sua presença se caracterizar por ser de tal forma mais intensa que em outras pessoas da mesma idade.

2. Em segundo lugar, também já vimos, é necessário que a ocorrência desses sintomas seja freqüente, porque é fácil de verificar que todas as pessoas podem apresentar uma vez ou outra na vida um ou vários dos sintomas mencionados, e não seria possível dizer que todas as pessoa apresentam DDA/H.  

3. Depois, é necessário que esses sintomas tenham surgido durante a infância.

4. Também se requer que esses sintomas estejam causando prejuízo no funcionamento da pessoa em duas ou mais áreas de sua vida.

5. Por último, outra condição é que esses sintomas não estejam sendo provocados por nenhum outro distúrbio conhecido.
Como vemos, então, não é qualquer pessoa que apresente alguns dos traços descritos,  como pode parecer à primeira vista, que preenche esses critérios diagnósticos.

27) Que outros distúrbios se parecem com o DDA/H e podem então serem confundidos com ele?
Ao avaliar uma pessoa na intenção de fazer  diagnóstico de DDA/H, o profissional tem em mente algumas outras condições que podem se confundir com esse distúrbio. Vamos exemplificar em seguida algumas dessas condições:

I.     Situações familiares desfavoráveis, como por exemplo, um casal em briga ou em vias de separação, ou a existência de um pai alcoolista, podem ser a causa para uma criança se apresentar desatenta e inquieta.

II.   Dificuldades sensoriais, como uma diminuição da audição ou da visão, às vezes ainda não detectadas, são capazes de deixar uma criança desinteressada e desatenta, e até mesmo inquieta.

III.O uso de certos medicamentos, como certas substâncias usadas para tratar asma ou alergias, também podem provocar hiperatividade. O mesmo se dando com certas intoxicações.  

IV.  Uma pessoa pode ser desatenta, ou então muito inquieta e impulsiva em conseqüência de sofrer de doenças da glândula tiróide.

V.  Alguns distúrbios psiquiátricos, como a depressão, o distúrbio bipolar, os quadros de ansiedade, com freqüência se confundem bastante com o DDA/H.

28) Até alguns anos atrás o DDA/H era considerado um transtorno benigno, quer dizer, que não trazia maiores complicações para a vida da criança. Hoje ainda se pensa assim?
É verdade que uma pessoa com DDA/H, quando não é muito acentuado, pode passar pela vida sem maiores complicações. Todavia, o mais comum é que os sintomas do DDA/H (desatenção, hiperatividade e impulsividade) tragam alguns comprometimentos.

i. Dificuldades no rendimento escolar são umas das primeiras conseqüências desse distúrbio. Esse distúrbio é considerado a principal causa de fracasso nos estudos.

ii. Dificuldades de relacionamento são freqüentes.

iii. Em função dessas situações expostas nos dois itens anteriores a regra é a pessoa desenvolver uma baixa auto-estima.

iv. Problemas profissionais, como mudanças freqüentes de trabalho, demissões, nível de realização abaixo da sua capacidade, não são raros.

v. As pessoas com DDA/H são mais propensas ao uso de álcool e drogas, até porque essas substâncias podem atenuar passageiramente alguns sintomas do distúrbio.

vi. Estatisticamente sabe-se também que essas pessoas são mais propensas a vários tipos de acidentes, em particular os acidentes de trânsito.  

vii. Essas pessoas apresentam um risco maior de contraírem outros distúrbios, como depressão, distúrbios ansiosos, etc.

29) Quer dizer que o DDA/H freqüentemente ocorre acompanhado de outros distúrbios?
Uma das características do DDA/H é exatamente essa alta coincidência com outros transtornos. Estima-se que mais da metade das crianças com DDA/H apresentam simultaneamente outros distúrbios. Adultos costumam apresentar ainda um número ainda maior de outros distúrbios simultâneos.

30) Quais são os distúrbios que se associam mais freqüentemente com o DDA/H?

(a)    Distúrbios da Aprendizado (dos quais os mais comuns são os distúrbios de leitura, de escrita e de matemática)

(b)   Distúrbio Desafiante e de Oposição, e Distúrbio de Conduta

(c)    Tiques

(d)   Distúrbios Ansiosos (Pânico, Fobia Social, Distúrbio de Ansiedade Generalizada)

(e)    Distúrbios do Humor (Depressão, Distimia)

(f)     Abuso de Drogas e Alcoolismo

31) Qual é o primeiro passo no tratamento do DDA/H?
O primeiro passo e talvez o mais importante de todos é o conhecimento. A própria  pessoa, os pais, os maridos, as esposas precisam aprender sobre DDA/H, saber como se apresenta, como isso compromete o modo de ser da pessoa, suas reações, e principalmente que isso não é culpa de ninguém, nem da pessoa nem de seus pais.
Alguém pode ser culpado se uma criança nasce com diabetes ou miopia, por exemplo?

32) Como as pessoas podem adquirir esse conhecimento?
Conversando com quem conhece (infelizmente até muitos médicos ignoram essa questão),  ou lendo sobre o assunto.
Essa apresentação tem por finalidade também preencher essa carência de informações.
Recentemente foram publicados dois importantes informativos: “Transtorno do Déficit de Atenção Hiperatividade”, da autoria de Luís Augusto Rohde e Edyleine B. P. Benczic (Artmed Editora), e “Hiperatividade, Como Lidar?”, de Abram Topczewski  (Casa do Psicólogo).
Pode-se pesquisar na Internet. Sugerimos os sites www.chadd.org, www.add.org (em inglês), e www.mentalhelp.com/hiperatividade_adulto.htm e www.dda.med.br (em português).

33) Quais são os outros recursos para tratar o DDA/H?
O programa de tratamento de modo geral deve sempre incluir 3 componentes:
1. Conhecimento
2. Medicação

3. Recursos psicoterápicos

34) Quais são os medicamentos mais comumente usados no tratamento do DDA/H?

A. Os medicamentos mais utilizados e que costumam dar os melhores resultados são medicamentos que pertencem à classe dos estimulantes. No Brasil, o único que existe dessa classe é o metilfenidato (nome comercial Ritalina).

B. Uma série de substâncias antidepressivas são freqüentemente usadas. Citaremos o Pamelor, o Tryptanol, o Tofranil, o Anafranil, e o bupropion.

C. Também se usam certos anti-hipertensivos, como a clonidina (Atensina), alguns medicamentos que tratam a Doença de Parkinson, como a selegilina (Niar), a amantadina (Mantidan), e outros

35) A Ritalina não é uma droga perigosa, capaz de provocar efeitos colaterais sérios?
A Ritalina é considerada uma droga segura pela maioria doa autores que a utilizam.
Todavia cabe aqui um parênteses - não se pode ignorar que toda droga é capaz de provocar reações adversas no organismo. Basta pensar na aspirina, medicamento comum, mas que pode provocar úlceras gástricas e hemorragias, até fatais.
A Ritalina apresenta também seus efeitos colaterais que o médico deve procurar evitar. Portanto só deve ser usada com orientação do médico que a conhece e manuseia com experiência. Todavia é um medicamento que já existe há mais de 40 anos, cujos efeitos são bem estudados e conhecidos. Usada adequadamente e quando há indicação, a Ritalina não induz à dependência.
É importante lembrar que a Ritalina é muito usada nos EUA, país em que a fiscalização é bastante rigorosa.

36) Por quanto tempo é necessário que se faça uso da medicação? Por toda a vida?
Uma vez que o DDA/H é um distúrbio de longa duração, às vezes por toda a vida, em princípio o tratamento, incluindo ou não medicamentos, também deve ser longo.
Muitas vezes, com a conscientização,  com o aprendizado de certas estratégias de comportamento, e mais o uso de medicamentos, depois de algum tempo a pessoa pode até dispensar a medicação porque adquiriu certos hábitos comportamentais que o capacitam a administrar melhor os sintomas do DDA/H.

37) Do ponto de vista psicológico o que pode ser feito para ajudar a pessoa com DDA/H?
O primeiro passo e muitas vezes o mais importante é dar à pessoa conhecimento sobre o distúrbio, porque só isso já tira uma grande carga de culpa que a pessoa provavelmente vem carregando por toda a vida.

Em seguida pode ser útil a pessoa aprender certas estratégias de comportamento para administrar os sintomas do DDA/H. Por exemplo, quando a pessoa sofre de dificuldade de organização e por causa disso acaba se esquecendo de compromissos, orientamos para adquirir o hábito de usar sempre uma agenda. Existem outras estratégias para quando a pessoa tem dificuldade em manter a atenção em leituras ou em aulas.

O professor pode ser um grande aliado no tratamento. Quando ele tem conhecimentos sobre DDA/H, ele se torna capaz de adotar certas estratégias de ensino capazes de favorecer o aprendizado dessas pessoas que sofrem de dificuldade de concentração, distraibilidade, etc.

Com alguma freqüência a auto-estima da pessoa com DDA/H já sofreu bastante prejuízo, por causa dos anos vividos com esse problema não identificado. Nesses casos uma psicoterapia com vistas a restabelecer o self prejudicado pode ser útil.

Nos EUA é comum a existência de grupos de pessoas com DDA/H, e grupos de pais de pacientes, que funcionam como importante fonte de ajuda mútua, mas infelizmente no Brasil ainda não existem esses tipos de associações, porque o conhecimento desse problema ainda é pequeno.

De certa forma, a participação em grupos de discussão sobre o assunto via Internet pode trazer um benefício semelhante.